À MILITÂNCIA PETISTA DE MINAS GERAIS [1]
“Eu quero o meu partido de
volta”
“A frase forte, pronunciada pela professora Maria
Vitória Benevides em entrevista à imprensa, fala do sentimento de dezenas,
quem sabe de centenas de milhares de militantes e simpatizantes do PT no
Brasil inteiro. Tal é a
sensação com os acontecimentos recentes. Um sentimento de perda. Aliás, um
sentimento de seqüestro. Seqüestro de sonhos, de expectativas e de desejos. O PT
precisa ser resgatado do pragmatismo, do realismo cínico, da “arte do
possível”. Da submissão aos valores próprios e inerentes à sociedade do
capital. As
crises e escândalos recentes indicam, mais uma vez, e perigosamente, que está
acesa a luz amarela. Evidentemente, a densidade dos ataques que o PT recebe
está relacionada com o cerco que nossos adversários ideológicos e históricos
pretendem nos impor. Mas esses ataques só são fortes em face da fragilização
ideológica à qual temos sucumbido recentemente, pela racionalidade do
pragmatismo que se instalou majoritariamente nas instâncias partidárias. Mas
não se trata de pleitear aqui a generosa, porém simplória, volta às origens. É claro
que o PT mudou. Mudaram as classes trabalhadoras. Mudaram nossas percepções
do mundo do capital e do mundo do trabalho. Mundo do
trabalho? Sim!
Mundo do trabalho. Nosso ponto de partida e de chegada. Ou o nome “Partido
dos Trabalhadores” se tornou apenas uma pálida referência a visões passadas? Nós
queremos o nosso PT de volta. Para ajudar na mudança da “correlação de
forças”. Para inaugurar uma nova idéia de governabilidade, que seja assentada
nas forças e movimentos sociais legítimos e conseqüentes. Para definir
impostos e taxas aos lucros bancários e à especulação financeira. Para mexer
em valores e tradições conservadoras, que são obstáculos estruturais à
inversão de prioridades de políticas e investimentos, para a qual elegemos
Lula. Para constituir a soberania nacional. Para fazer a reforma agrária. Nós
queremos nosso PT de volta. Os
petistas mineiros têm um papel decisivo nesse processo de resgate do Partido.
Precisamos também de um novo pacto federativo interno que reequilibre o poder
das seções estaduais no Brasil, que despersonalize interesses e projetos, que
resgate o nacional, o democrático e o popular para o centro de nossas ações. Chamamos
a militância que vê nas pré-candidaturas à presidência do PT mineiro — de
Durval Ângelo, Chico Simões e Adelmo Leão —, referências para a renovação
partidária e resgate de valores essenciais a uma política de esquerda em
Minas, e as tendências e lideranças que se disponham a lutar pela mudança da
hegemonia no PT mineiro, para que juntos possamos dar nossa contribuição aqui
e no Brasil. Um esforço de unidade, consubstanciado numa candidatura a
presidência e numa chapa única de oposição para a direção partidária em
Minas, para mudar o PT e ajudar a mudar o Brasil. Uma
mudança de hegemonia sem exclusões, sem arrogância e sem a presunção de que
somos os donos da verdade. Enfim, um esforço para as devidas alternâncias que
podem oxigenar o PT. Nós queremos
nosso PT de volta.” Assinam:
Tendência Marxista, Democracia Socialista e Alternativa Socialista. Lideranças: Gilmar
Machado (dep. federal), Rogério Correia e Ricardo Duarte (dep. Estaduais),
Neila Batista e Letícia da Penha (vereadoras), Gilberto Neves (ex-vereador e
membro do DN). |
Reproduzido e
grafado por Klauss.
14/06/05.
|
[1] Recebido por e-mails enviados pelos Mandatos: Deputado Rogério Correa, PT; e Vereadora Neila Batista, PT.